29/02/2012 às 17:21:42

Temporada diminui preço de compra de recicláveis

Coletores individuais reclamam a baixa no valor de latinhas, garrafas pet, papelão, etc. Já cooperativa afirma que para eles pagamento está bom

Jornal Boca - edição 135

Carla Superti

Os coletores de materiais recicláveis nas cidades de Balneário Camboriú e Camboriú andam reclamando que os preços pagos pelas empresas que compram o que é recolhido por eles estão baixando com muita frequência. Um dos problemas afirmados pelos compradores é a grande quantidade de produtos recolhidos nesta época do ano – a temporada de verão.

Isaias Cordeiro é um destes coletores que anda decepcionado com o preço que está sendo pago pelo que ele recolhe. Ele é coletor de latinha, papelão, papel, garrafas pet – plástico - e fala que alguns destes materiais, como por exemplo, as garrafas pet, tiveram o valor da compra diminuído pela metade. Para ele, antes pagavam R$ 0,80 e agora pagam R$ 0,40.

Conforme conta o coletor, a previsão é que os preços baixem mais ainda. “Eles falam que os depósitos estão super carregados e não estão mais comprando. É normal baixar os preços, mas desta vez baixou muito mesmo”, afirma.

Adriano Santino de Oliveira é presidente da Cooperativa de Catadores de Material Reciclável e Reutilizável de Balneário Camboriú (Coopermar) e fala que a cooperativa vende apenas para uma empresa, o Comércio de Sucatas Dalmolin, e que o preço está ótimo no momento, Por exemplo, a garrafa pet é comprada pela empresa por R$ 1,20.

“Na cooperativa é tudo prensado. O que vale também é a qualidade do produto. O nosso produto é todo separado e triado”, ressalta Oliveira sobre o porque do material da Coopermar ser comprado por um preço maior.

O problema então está com os coletores de produtos que trabalham sozinhos. Jaqueline, do Comércio de Sucatas Dalmolin, conta que a empresa compra os produtos como latinhas, pet e papelão apenas em grande quantidade e que outras empresas trabalham com eles comprando de coletores individuais.

Este é o caso da Sucata Faga, que fica no Bairro Tabuleiro, em Camboriú. Tatiana Roberto da Silva Faga, que é proprietária do local, afirma que eles são o que chamam de “atravessadores” – ou seja, compram dos coletores, juntam o material em maior quantidade e revendem para o Comércio de Sucatas Dalmolin, que repassa o material para ser reciclado em fábricas de produtos reciclados.

Tatiana conta que baixar o preço dos materiais recolhidos nas ruas pelos coletores é realmente normal nesta época do ano. “Isso sempre acontece. Chega essa época de temporada onde aumenta a quantidade de materiais recolhidos e o preço acaba baixando. Baixa lá em cima, baixa para o Dalmolin e baixa pra mim também”, ressalta.

Segundo a proprietária do local, é provável que agora os preços dos produtos para reciclagem voltem a aumentar. “Acaba essa febre de temporada, os turistas começam a ir embora e os materiais acabam sendo menos, o que faz os lá de cima – quem compra para produzir algo reciclado – aumentarem a procura e os preços”.

Mesmo com os preços menores, Tatiana diz que, por exemplo, o pet está sendo comprado separado por R$ 0,70. “A gente faz alguma coisa para ajudar eles também. Porque se eles separam o produto, o que não é tanto trabalho assim para eles, aí já compensa para a gente, pois a mão de obra é muito cara. Mas se eles não separam e vendem o material misturado, aí sim o preço realmente é menor”, explica.

Como na temporada existe mais material para ser recolhido, comprado e vendido, Tatiana conta que na sua empresa ela não deixa os produtos parados por mais que dez dias, se não, ela pode comprar por um preço e ter que vender por outro muito mais barato, o que trará apenas prejuízo.

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