Construção civil: e daqui a 10 anos?
Conselho da Cidade estuda forma de desaceleração no ramo. Construtores afirmam que isso deve ocorrer de uma forma natural conforme o mercado
Jornal Boca - Edição 133
Carla Superti
Balneário Camboriú/SC - Balneário Camboriú tem crescido muito a cada dia que passa. Essa não é uma novidade para ninguém, porém, serve como preocupação para muitos. Quando o espaço para as construções terminar, onde mais novos moradores poderão ser recebidos? E quantos moradores a mais Balneário, que já tem 108 mil habitantes, suporta em seu espaço de 47 km²?
“Talvez hoje essa seja a maior preocupação em Balneário Camboriú. Temos que pensar na cidade para daqui 10, 15 anos, para onde nós vamos e o que queremos ser”, revela o presidente do Conselho da Cidade e também secretário de Planejamento, Auri Pavoni.
O secretário de Planejamento compara Balneário Camboriú a um apartamento, que para ser mais confortável pode aceitar determinado número de pessoas para viver, salvo as épocas de datas especiais, onde é normal receber mais visitas. “Para ter qualidade de vida, também temos que ter um número limite de pessoas na cidade”, ressalta.
Para desacelerar este crescimento contínuo da cidade, é necessário desacelerar também a construção de novos edifícios, só que sem prejudicar quem trabalha no ramo. Quase 10 mil pessoas trabalham na construção civil atualmente dentro do município, que tem aproximadamente 150 construções em andamento. “Hoje, quando vejo construírem um edifício onde antigamente era um hotel, me preocupo. Temos que começar a analisar essa situação e fazer essas perguntas de uma maneira madura e tranquila”.
A atual administração do município investiu no sistema viário e mobilidade urbana, para assim facilitar vida de quem mora e trabalha por aqui. Sobre o crescimento dos veículos em Balneário Camboriú, Pavoni complementa: “como crescemos mais de 100% nos últimos dez anos, nossa frota de veículos deve ter crescido mais de 300%”.
O presidente do Sinduscon, o sindicato patronal dos construtores civis de Balneário Camboriú, Carlos Haacke, acredita que a desaceleração da construção civil é uma coisa que acontecerá naturalmente.
“Isso é uma coisa que eles (do Conselho da Cidade) pensaram para daqui a dez anos. Eu acho que se você pensar no momento atual isso é interessante por um lado e desinteressante por outro. A coisa tem que ocorrer de uma forma natural de acordo com o mercado”.
Ele ainda dá um exemplo: “neste ano estamos sofrendo com um gargalo na mão de obra. Não temos mão de obra, falta servente, falta carpinteiro, pedreiro... então não adianta querer acelerar se não tem gente. Vai chegar o momento que não vai mais ter terrenos para a construção, então naturalmente ela vai desacelerar”.





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