16/02/2012 às 09:51:06

Construção civil: e daqui a 10 anos?

Conselho da Cidade estuda forma de desaceleração no ramo. Construtores afirmam que isso deve ocorrer de uma forma natural conforme o mercado

  • Créditos: Divulgação

Jornal Boca - Edição 133

Carla Superti

Balneário Camboriú/SC - Balneário Camboriú tem crescido muito a cada dia que passa. Essa não é uma novidade para ninguém, porém, serve como preocupação para muitos. Quando o espaço para as construções terminar, onde mais novos moradores poderão ser recebidos? E quantos moradores a mais Balneário, que já tem 108 mil habitantes, suporta em seu espaço de 47 km²?

“Talvez hoje essa seja a maior preocupação em Balneário Camboriú. Temos que pensar na cidade para daqui 10, 15 anos, para onde nós vamos e o que queremos ser”, revela o presidente do Conselho da Cidade e também secretário de Planejamento, Auri Pavoni.

O secretário de Planejamento compara Balneário Camboriú a um apartamento, que para ser mais confortável pode aceitar determinado número de pessoas para viver, salvo as épocas de datas especiais, onde é normal receber mais visitas. “Para ter qualidade de vida, também temos que ter um número limite de pessoas na cidade”, ressalta.

Para desacelerar este crescimento contínuo da cidade, é necessário desacelerar também a construção de novos edifícios, só que sem prejudicar quem trabalha no ramo. Quase 10 mil pessoas trabalham na construção civil atualmente dentro do município, que tem aproximadamente 150 construções em andamento. “Hoje, quando vejo construírem um edifício onde antigamente era um hotel, me preocupo. Temos que começar a analisar essa situação e fazer essas perguntas de uma maneira madura e tranquila”.

A atual administração do município investiu no sistema viário e mobilidade urbana, para assim facilitar vida de quem mora e trabalha por aqui. Sobre o crescimento dos veículos em Balneário Camboriú, Pavoni complementa: “como crescemos mais de 100% nos últimos dez anos, nossa frota de veículos deve ter crescido mais de 300%”.

O presidente do Sinduscon, o sindicato patronal dos construtores civis de Balneário Camboriú, Carlos Haacke, acredita que a desaceleração da construção civil é uma coisa que acontecerá naturalmente.

“Isso é uma coisa que eles (do Conselho da Cidade) pensaram para daqui a dez anos. Eu acho que se você pensar no momento atual isso é interessante por um lado e desinteressante por outro. A coisa tem que ocorrer de uma forma natural de acordo com o mercado”.

Ele ainda dá um exemplo: “neste ano estamos sofrendo com um gargalo na mão de obra. Não temos mão de obra, falta servente, falta carpinteiro, pedreiro... então não adianta querer acelerar se não tem gente. Vai chegar o momento que não vai mais ter terrenos para a construção, então naturalmente ela vai desacelerar”.

 

 

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Comentários
donanfer
Boa noite, acho que o espaço urbano em BC já se foi há muito tempo, pois, atualmente quem mora aqui passa o inverno com a casa sem sol e ventilação e com muito mofo!! não há áreas de lazer, campos de futebol, quadras e espaços verdes, nem mesmo as ruas são arborizadas. O que temos aqui é especulação imobiliária que enriquece poucos e um deserto vertical nos edifícios, nem no ano novo eu vi um prédio completamente utilizado...ainda bem...por outro lado! Sempre penso se 10% das pessoas que tem apto aqui vierem morar aqui em 10 anos a cidade não andará mais, a praia que já quase é será um esgoto com ondas, os morros virão abaixo. no último censo do IBGE BC foi a cidade litorânea com a pior ocupação. esses governantes deveriam pensar melhor quando liberam a construção de prédios colados uns aos outros, é que eles moram em coberturas e viajam o ano todo com o dinheiro dos trouxas!