Painel do Leitor

Histórias que ele me contava antes de dormir

Jornal Boca - Edição 106

Não se pode falar sobre um assunto sem que o conheça e no Dia dos Pais não consigo não falar do meu pai. Se você olhar pra ele, vai ter certeza: Aquele homem é o pai da Aline. É por ele que eu escrevo, que sou loira, que falo muito, que tiro de letra os problemas com um sorriso, que sou esquecida demais e feliz com as coisas simples. Eu cresci ouvindo ele dizer que tudo ia dar certo. E acreditei.

Aquele homem. Aquele homem que não é um herói, mas minhas lembranças se enchem de alegria com as brincadeiras simples que ele fazia, das histórias que ele me contava antes de dormir, da mão forte me segurando para que eu não tenha medo da injeção depois de adulta. Aquele homem não esteve ao meu lado em muitas fases da minha vida. Mas estava ao meu lado quando tive meu filho, dizendo para que eu não me preocupasse com nada, que estava tudo certo. Apoiando sem culpa, acalmando com as palavras sutis, embora doces.

Aquele homem não me liga sempre. Mas todas as vezes que ouço a sua voz, sinto algo que só pode ser carinho. Todos os poucos momentos com ele são doces e poéticos. Aquele homem é um poeta. Aquele homem que ensina com metáforas, que tem uma forma fácil de ensinar sobre a vida. Hoje, com uma nova vida, de cabelos brancos e já avô. Eu quero ser alguém na vida pra orgulhar aquele homem. Parabéns a todos que entendem o significado da palavra “Pai”, porque certidão de nascimento nenhuma ensina a ser pai.

Parabéns a todas as mães que vestem a calça e dão duro para criar seus filhos sozinhas. Se te uma coisa que eu aprendi neste tempo é que idealizar mãe/pai só faz com que engrandeçamos os seus defeitos e esqueçamos que nossos pais só fizeram uma coisa nessa vida: Eles apenas foram o melhor que eles podiam ser.

Aline Leal – Analista de importação

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