Muito carnaval, pouca serpentina
Painel do Leitor do Jornal Boca de 22 de fevereiro de 2012 - edição 134
JORNAL BOCA - EDIÇÃO 134
Muito carnaval, pouca serpentina
É estranho o fato de que o homem, um ser racional, tenha dificuldades para tratar da divisão do trabalho, ainda que defenda essa tese.
O aproveitamento, adequação e uso dos melhores talentos e vocações têm suas raízes na divisão das tarefas.
A velocidade do mundo moderno é um dos argumentos para que negligenciemos o fato, quando na realidade a imperfeição da execução leva à repetição, ao desperdício e à perda de tempo.
Animais e insetos obedecem essa simples regra, mas nós, orgulhosos de nossa independência e soberania, quantas vezes não a negligenciamos?
Não acredita nesse fato?
Vamos a uma reflexão muito simples:
Você deve ter participado de inúmeras reuniões nas quais os debates foram acirrados, farpas foram trocadas e acordos foram feitos. Para avaliar o progresso, novo encontro foi marcado.
É verdade que delegar um trabalho e não tê-lo pronto na data, porque o colaborador não seguiu as instruções, é complicado, mas, havendo tempo, deixá-lo desenvolver seu próprio “solo” pode nos surpreender consideravelmente.
O que fazer então com as reuniões?
Ao convocar as pessoas temos que ter em mente que “deliberar é tarefa de muitos, agir é tarefa de um só”.
Reuniões servem para estabelecimento de acordos, compromissos, direcionamento de questões estratégicas. Cobranças e dúvidas devem ser tratadas operacionalmente.
Como consultor, vejo e estudo planos que se arrastam por longos períodos, sem as correspondentes ações. Em uma oportunidade, ao recompor a estrutura de capital de uma empresa, seus gestores se mostraram espantados com o tempo decorrido entre o esvaziamento do caixa e sua recomposição com recursos do BNDES.
Diziam: - Meia década de total desconhecimento!
Uma vez resolvidos pequenos detalhes para obter as certidões negativas, os apoios do meio financeiro excederam as expectativas e em menos de seis meses a empresa respirava aliviada. Gostaria também de ficar espantado, mas a experiência nos mostra que a falta de divisão do trabalho oculta conhecimentos.
Ainda que tenha que tratar de conceitos com os quais não tenha intimidade aja. Diz um ditado: “Quando uma dúvida surge e não agimos, esta cresce, quando o fazemos, crescemos nós”.
Dúvida e ação não combinam, contundo é importante não confundir ação com movimento. Para materializar nossos projetos precisamos de mais serpentina e menos carnaval!
Ivan Postigo
Diretor da Postigo Consultoria Comunicação e Gestão





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