Capital Catarinense do Turismo... de qual turismo?

Painel do Leitor do Jornal Boca de 1 de fevereiro de 2012

Jornal Boca - Edição 131

Capital Catarinense do Turismo... de qual turismo?
Passado o auge de movimento da temporada de verão, já é possível avaliarmos o patamar em que o turismo de Balneário Camboriú se encontra. Antes de mais nada, se faz necessário um resgate do processo liderado nos anos de 1990 e 2000. Nosso turismo teve grande crescimento nestas duas décadas, através de parcerias que viabilizaram obras públicas e privadas que melhoraram nossa infraestrutura, embelezaram ainda mais o espaço urbano, e ao qualificar o destino turístico, divulgaram sobremaneira a imagem da cidade como roteiro obrigatório para quem visita Santa Catarina. Neste quesito, destacam-se a Rodovia Interpraias, o Cristo Luz, o Parque Unipraias, o Molhe da Barra Sul, e por último, a Marina Tedesco. Desde então, vivemos um período de ócio no empreendedorismo e na capacidade de criar novos equipamentos, que beneficiem o turista, mas na mesma proporção, o cidadão que aqui reside.
O poder público municipal tem o dever de fomentar a qualificação de nossa rede hoteleira, conhecida pelo aspecto quantitativo, mas que deixa muito a desejar no que se refere ao potencial qualitativo. Uma política pública efetiva seria a de conceder benefícios fiscais para os empreendimentos que invistam na ampliação e reforma de sua estrutura, além da qualificação permanente de sua mão de obra. 
Evidente também é que o turismo, assim como qualquer outro segmento econômico, não pode ser pensado isoladamente. Toda a região precisa urgentemente de ações, principalmente na infraestrutura, que melhorem o acesso, condições de permanência e atrativos da chamada “Costa Verde e Mar”. Nosso Aeroporto de Navegantes de Internacional só tem o nome. Itajaí não consegue concluir há quase dez anos uma via expressa portuária que retiraria todo o fluxo pesado de caminhões de sua área urbana, e muito pouco valoriza a arquitetura de seu Centro Histórico. Camboriú afasta seus turistas pelos altos índices de violência, e pela falta de investimentos na potencialização de seu turismo rural. Itapema não consegue acabar de uma vez por todas com o problema da falta d’água em toda a cidade, e o novo acesso a Porto Belo e Bombinhas assustadoramente não está emperrando por questões orçamentárias e nem políticas, mas sim pela visão conturbada de ambientalistas que na falsa ânsia de preservar o meio ambiente, boicotam o desenvolvimento.
E não é necessário ir muito longe. Nosso Centro de Convenções é alvo de promessas do Estado em vários governos, e esperamos que o atual efetivamente ao menos conclua o projeto e dê início à obra. Porém, precisamos entender que ele não será o “projeto-messias”, que salvará para sempre a economia de nosso Município. Precisamos avançar, investir na cultura e nos esportes, criando espaços adequados para que possamos nos credenciar a atrair eventos de grande porte, que diversifiquem o público que estamos recebendo atualmente.
Em 2004 fomos reconhecidos oficialmente pela Lei Estadual 13.039, como sendo a “Capital Catarinense do Turismo”. Inegável é que estamos num patamar muito melhor do que outros destinos, numa eventual comparação. Mas quem se contenta com grandes (porém antigas) conquistas, dificilmente haverá de mudar – para melhor – seus indicadores turísticos, e muito menos conquistará o status de excelência para todos os segmentos sociais e econômicos da sociedade que procuram, de forma crescente, o principal serviço/ramo em que atua. E não estamos longe disto. Para mudar, basta vontade, planejamento e ação!
Vereador Dão Koeddermann (PSD), presidente do PARLAAMFRI

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